Os 8 fatores de inovação — e como o Design Thinking pode ajudar a conquistá-los

Em 2015, muito antes do grande hype da inovação, a McKinsey realizou uma pesquisa com mais de 2.500 executivos em mais de 300 empresas para traçar o perfil das organizações mais inovadoras. Com essa informação em mãos, a referência mundial de consultoria estratégica traçou 8 fatores que indicam se uma empresa realmente é inovadora. Desde que o estudo foi publicado, o processo de inovação ganhou muito mais atenção e esses fatores são agora essenciais para a evolução das empresas de 2020. E, claro, os meios para atingir esses fatores são tão essenciais quanto.

Abaixo, os 8 fatores detectados no estudo:

ASPIRAR

A organização deve almejar tornar-se inovadora. O desejo aqui tem que ser maior que discursos, e deve traduzir-se em metas ambiciosas para a empresa crescer através da inovação. Esses objetivos devem ser quantificados e explícitos nos planos estratégicos para dar a devida importância à inovação dentro da empresa. A McKinsey qualifica esse fator sendo ainda maior do que somente a metrificação da inovação no âmbito empresarial. Para a empresa aspirar inovação, ela deve espalhar essa cobrança por toda a sua hierarquia, para evitar o status quo ou a crença de que a inovação é ‘responsabilidade de outra pessoa’.

Como o Design Thinking pode ajudar?

A utilização do Design Thinking e de suas ferramentas derivadas podem ajudar na criação de KPIs e métricas eficazes, construídas com base na cultura da empresa, mercado de atuação e rotina dos colaboradores. Vale ressaltar que as metrificações podem variar entre diferentes empresas ou até em diferentes equipes da mesma organização.

ESCOLHER

As boas ideias estão presentes em todas as áreas e setores. O grande desafio das organizações é justamente escolher as melhores ideias a serem cultivadas e escaladas. Esse problema tende a ser proporcional ao tamanho da empresa: quanto maior, mais aversão a risco ela terá, e, mais propensa será a esperar a pressão da concorrência. Logo, principalmente nas empresas de porte maior, é essencial criar uma estratégia para rapidamente testar ideias com potencial e utilizar-se de metodologias que ajudem a apontar para as mais promissoras. Vale ressaltar que não existe receita de bolo para gerenciar ideias, e cada empresa pode desenvolver seu próprio mecanismo para testar e avaliar. Logo, as empresas que dominam esse valor adotaram metodologias que identificam com maestria as melhores ideias geradas em casa.

Como o Design Thinking pode ajudar?

Inovar baseando-se no Design Thinking ajuda as empresas a focar nas melhores ideias geradas pelas suas equipes. As ferramentas aliadas ao DT, como o Rapid Concept Development, cocriação, engenharia de valor e prototipação ajudam às equipes a gerar hipóteses, criar possíveis soluções junto aos clientes, detectar as soluções mais viáveis e prototipar as ideias e rapidamente identificar os melhores caminhos a se seguir.

DESCOBRIR

Muito profissionais esperam aquele ‘momento Eureka’ — aquela ideia brilhante, digna de um filme hollywoodiano. No entanto, no mundo não cinematográfico das empresas, elas devem buscar e descobrir novas visões através de metodologias e sistemas que abrangem três áreas: um problema valioso a ser resolvido, uma tecnologia que permite uma solução e um modelo de negócio que rentabiliza. De acordo com o artigo, qualquer inovação de sucesso possui uma intercessão desses 3 elementos. Logo, a habilidade de ‘descobrir’ novas ideias é uma consequência da habilidade da empresa de sintetizar e mesclar esses valores.

Como o Design Thinking pode ajudar?

O modo de pensar do Design, quando bem feito, é amparado por uma tríade que ataca exatamente os elementos listados acima. Todo projeto de sucesso precisa almejar ser: 1) bom para o usuário, 2) tecnologicamente viável e 3) rentável ao negócio. Entendendo essa necessidade, todo o framework do Design Thinking é construído para investigar e levantar oportunidades de melhor a experiência do usuário; cocriar soluções aderentes ao investimento tecnológico da empresa; e, tão importante quanto, trazer retorno à companhia.

EVOLUIR

Apesar de estarmos sempre nos deparando com novos modelos de negócios que revolucionam inteiramente algum processo e ajudam empresas a rapidamente conquistar terreno (processo popularmente conhecido como uberização), as empresas tradicionais tendem a continuar focando em criar e inovar no setor de novos produtos. Esse medo ocorre devido ao grande risco de mexer num modelo de negócio que dá resultado. No entanto, empresas que dominam esse fator, conseguem testar novos modelos rapidamente, sem necessariamente afetar o modelo atual. Essas organizações criam ambientes controlados, testam o novo processo sem afetar o atual, e dependendo do resultado, o escalam.

Como o Design Thinking pode ajudar?

O Design Thinking consegue não só identificar as oportunidades de evolução nos processos como também as ajuda a materializar uma nova solução sem afetar o core da empresa através da prototipação. O projeto chega a criar mockups indistinguíveis de um serviço funcional, para testar a aceitabilidade do mercado antes mesmo do lançamento de um novo serviço, poupando despesas e diminuindo riscos.

ACELERAR

As ideias inovadoras tendem a ser embarreiradas pelas burocracias impostas entre o projeto e o seu usuário. A barreira pode ser a TI, o jurídico, o marketing ou qualquer área plausível de frear uma inovação através de regras e obstáculos. Para atravessar os setores ‘anti inovação’, as grandes ideias devem ser lideradas por gestores bem conectados, que consigam navegar por águas turbulentas e que consigam atingir a etapa de testes antes dos entraves frearem a nova empreitada. Logo, as organizações que ‘aceleram’ possuem líderes que não tem medo de romper barreiras internas para executar o seu projeto.

Como o Design Thinking pode ajudar?

O Design Thinking, quando bem trabalhado, é uma eficaz ferramenta política. Seu caráter agregador e multidisciplinar garante um alinhamento de visões e promove o surgimento de diversos ‘embaixadores’ do projeto. Como dificilmente um projeto sairá do papel sem o apoio do conselho ou da alta gestão de uma empresa, essa abordagem contém diversas reuniões e checkpoints para garantir adesão de diferentes influenciadores da empresa à respeito do projeto.

ESCALAR

O entendimento do potencial de mercado do seu produto/serviço é essencial para a empresa rapidamente se adaptar à nova demanda e manter a qualidade. Para apropriar-se desse fator, a empresa deve saber descobrir a magnitude do mercado e então investir em recursos de forma proporcional ao potencial de retorno. Logo, a companhia deve saber direcionar recursos de forma ótima e calcular o risco do investimento de maneira certeira. Quando esse fator não é dominado, corre-se o risco de haver um excesso de investimentos em projetos de baixo ROI ou do investimento escasso em grandes potenciais, permitindo que a concorrência atue na vácuo deixado.

Como o Design Thinking pode ajudar?

O DT orienta algumas escolhas de ferramentas que permitem validar uma ideia ou modelo de negócio antes de escalá-lo. Com testes de conceito, por exemplo, é possível testar algumas variáveis específicas que podem ajudar a mensurar o potencial ou o risco envolvido daquele produto/serviço. Ao testar essas hipóteses, pode-se então concluir, avaliar, priorizar, e tomar decisões mais conscientes dentro deste ambiente mais controlado. Com essas informações em mãos, os gestores tomam decisões mais ponderadas de investimentos e, consequentemente, menos ariscas.

AMPLIAR

Organizações de todos os setores entendem que para inovar é necessário envolver colaboradores externos. Essa é uma forma eficiente da empresa usufruir de conhecimentos externos, inclusive de fontes internacionais.

No entanto, a construção de um ecossistema terceirizado não é trivial, e tende a levar anos, pois demanda investimento nos relacionamentos. O grande ganho dessa estratégia é o potencial de escalar utilizando forças externas e o fácil acesso a conhecimentos e habilidades específicas.

Como o Design Thinking pode ajudar?

Consultorias especializadas em Design Thinking, ao contrário de outras, iniciam seu processo pelo usuário final (user-centered), o verdadeiro responsável por “comprar” a inovação. Sendo assim, podem ser parceiros vitais para ajudar em definições estratégicas e guiar projetos pois não se prendem apenas a visões apenas processuais e sistêmicas como normalmente acontece no mercado.

MOBILIZAR

As companhias que abraçam esse fator possuem colaboradores que buscam inovar constantemente e sinergicamente. A base desse fator é a aspiração (o primeiro da nossa lista). No entanto, essas organizações que se ‘mobilizam’ conseguem dar um passo além: enraízam a inovação na cultura, conectando fortemente os conceitos de inovação com os conceitos de estratégia e performance. Todos os colaboradores das empresas ‘mobilizadoras’ são peças com potencial de gerar novas ideias. Eles possuem acesso à ferramentas que os ajudam a compartilhar e receber ideias de outros setores, e são remunerados e incentivados pelos seus líderes para continuarem buscando soluções melhores. São nessas empresas que vemos iniciativas como ‘garagens de inovações’ para que as novas ideias fujam da cultura conservadora e dos obstáculos presentes na estrutura tradicional.

Como o Design Thinking pode ajudar?

Empresas que ‘mobilizam’ a inovação certamente já espalham e aplicam os conceitos do DT virtuosamente e já semeiam ideias através de garagens ou programas de inovação aberta. Vale lembrar que essas ‘garagens de inovação’ não tem barreiras, e com ímpeto, podem expandir-se por geografias e mercados, alimentando a organização com um fluxo constante de ideias ímpares: a utopia do mundo corporativo atual!

E minha empresa com isso?

Claro que esses fatores não se aplicam para todas as empresas ou todos os mercados, mas ela deve se identificar com pelo menos um desses caminhos. No entanto, mais cedo ou mais tarde, todo mundo terá que abraçar a inovação mais afundo no seu dia-a-dia e o DT, com suas inúmeras ferramentas, pode ser um guia valioso nessa jornada.

Diogo Saba

Diogo, nerd dos gadgets, wanderluster e apaixonado por política internacional e economia, é graduado em Administração pela PUC-Rio e pós graduado em Gestão da Tecnologia da Informação na FGV. Possui 10 anos de experiência na área comercial, boa parte vivida nas multinacionais de tecnologia IBM e SAS onde atendeu empresas como CEMIG, Iberdrola, Equatorial e Embraer. Além da vivência no setor de TI, liderou por 2 anos o setor internacional de uma empresa de órteses e próteses e atualmente lidera a área comercial do Estúdio Marte.

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